Por que o dinheiro importa?

A maioria das pessoas nunca para para pensar sobre o dinheiro.

Não em ganhá-lo nem em gastá-lo, mas em realmente pensar no que ele é e em como funciona.

Usamos dinheiro todos os dias, mas raramente nos perguntamos como ele funciona.

Antes de continuar a leitura, reserve um momento para cinco perguntas. Se puder, escreva uma resposta curta para cada uma:

  1. Por que as pessoas precisam de dinheiro?
  2. O que faz de algo dinheiro?
  3. Quem pode criar ou controlar o dinheiro que você usa?
  4. Por que o dinheiro que você usa tem valor?
  5. O seu dinheiro compra hoje a mesma quantidade que comprava no passado?

Guarde suas respostas. Volte a elas no final. Este guia pode reforçar algumas de suas opiniões e mudar outras.

Durante a leitura, observe a diferença entre um fato e uma opinião. "Esta cédula é aceita para o pagamento de impostos" é um fato que pode ser verificado. "Esta é a melhor forma de dinheiro" é uma conclusão que exige critérios e evidências.

Este guia está estruturado em torno de seis perguntas: por que o dinheiro importa, o que ele é, o que pode dar errado com ele, o que é o Bitcoin, como usá-lo com segurança e o que vem a seguir.

Ele tem finalidade exclusivamente educacional. Não oferece aconselhamento financeiro, de investimento, jurídico ou tributário, e não recomenda que você compre, venda ou mantenha nenhum ativo.

O que é dinheiro?

O dinheiro é uma ferramenta de troca.

Ninguém quer dinheiro por ele mesmo. Nós o queremos pelo que ele pode comprar. Uma cédula é apenas um pedaço de papel. O que a torna útil é que outras pessoas a aceitarão em troca de coisas que realmente queremos, porque esperam que outros a aceitem mais tarde.

É isso que diferencia o dinheiro do escambo.

Em um sistema de escambo, a troca só funciona quando as duas pessoas querem o que a outra tem, ao mesmo tempo e em quantidades adequadas. Os economistas chamam isso de Dupla Coincidência de Desejos. Se você planta arroz e precisa de sapatos, o sapateiro pode querer óleo de cozinha, e não arroz. O dinheiro resolve isso separando a venda da compra: você vende seu arroz para uma pessoa e compra sapatos de outra.

O dinheiro geralmente cumpre três funções.

Ele é um meio de troca: as pessoas o aceitam como pagamento. Ele é uma Unidade de Conta: os preços são expressos nele, o que nos permite comparar o valor de coisas diferentes. E ele é uma reserva de valor: ele transporta valor de hoje para o futuro. Nenhum dinheiro preserva valor perfeitamente, mas algumas formas perdem Poder de Compra mais lentamente do que outras.

Ao longo da história, muitas coisas serviram como dinheiro: conchas, sal, contas, gado, cobre, prata e ouro. Os metais preciosos passaram a ser amplamente usados porque eram escassos, duráveis e amplamente aceitos. Mas transportar e proteger metal é difícil, então os bancos começaram a emitir títulos em papel que podiam ser resgatados por uma quantidade determinada de metal. Sob diferentes versões de um padrão-ouro, uma unidade monetária era legalmente vinculada a uma quantidade de ouro. As regras variavam conforme o lugar e a época.

Com o tempo, o dinheiro passou a se apoiar mais em instituições e promessas do que em metal. Em 1971, os Estados Unidos encerraram a conversão oficial de dólares em ouro para governos estrangeiros e bancos centrais. Hoje, a maioria das moedas nacionais é moeda fiduciária: moeda emitida sob autoridade governamental, geralmente por meio de um banco central, que não pode ser resgatada por uma quantidade fixa de ouro ou de qualquer outra mercadoria. A palavra fiat vem do latim e significa "faça-se", frequentemente entendida como "por decreto".

A moeda fiduciária funciona porque pessoas, empresas, bancos e governos a aceitam. As leis geralmente lhe conferem curso legal e exigem seu uso no pagamento de impostos, e as pessoas a querem porque todos ao seu redor a usam.

Passamos de um dinheiro lastreado em algo para um dinheiro lastreado na confiança em alguém.

O que há de errado com o nosso dinheiro?

Quando as pessoas ouvem a palavra inflação, geralmente pensam em preços subindo.

A inflação de preços é um aumento contínuo do nível geral de preços. O outro lado dela é o poder de compra: quanto uma unidade de dinheiro consegue comprar. Se uma cesta de produtos básicos sobe de 100 unidades de moeda para 110, as mesmas 100 unidades já não compram a cesta inteira.

A inflação tem várias causas, e os economistas debatem o peso de cada uma delas: expansão do dinheiro e do crédito, interrupções no abastecimento, mudanças na demanda, desvalorização da moeda, impostos e custos de produção. Uma causa merece atenção porque é uma escolha, e não um acidente: em um sistema fiduciário, um pequeno número de instituições pode aumentar a oferta de dinheiro e de crédito e mudar suas regras.

Pense no que torna algo valioso.

A Mona Lisa original vale mais do que qualquer cópia dela, não porque seja mais bonita, mas porque é a única. A escassez sozinha não cria valor, mas, quando as pessoas desejam algo, a quantidade disponível importa.

Quando a oferta de dinheiro cresce mais rápido do que aquilo que ele pode comprar, cada unidade tende a comprar menos.

A inflação não afeta todos da mesma forma. Uma pessoa que guarda principalmente dinheiro em espécie ou poupança pode perder poder de compra. Uma pessoa que possui bens que se valorizam pode estar parcialmente protegida. Salários e preços também se ajustam em velocidades diferentes.

O dinheiro na sua conta bancária também é diferente do dinheiro vivo na sua mão. Um banco não guarda cada depósito em espécie: ele empresta e investe a maior parte. O saldo bancário é a promessa do banco de pagar a você. Essa promessa geralmente é cumprida, mas depende do banco e das regras que o cercam.

Experimente: um teste de poder de compra

Escolha um item comum na sua comunidade, como pão, transporte ou crédito de celular. Anote o preço dele hoje. Pergunte a alguém quanto ele custava há vários anos e, se puder, confira em um registro confiável. A renda das pessoas subiu na mesma proporção? O que mais poderia explicar a mudança?

Nada disso significa que o dinheiro fiduciário não funciona. Ele oferece pagamentos práticos, crédito flexível e ferramentas para responder a crises. Mas essa mesma flexibilidade cria riscos: sua oferta e suas regras podem mudar, e as pessoas que o usam têm pouca voz nisso.

É por isso que as pessoas buscam alternativas, e é por isso que o Bitcoin foi criado.

O que é Bitcoin?

Antes do Bitcoin, enviar dinheiro pela internet sempre dependia de uma organização confiável: um banco ou uma empresa de pagamentos que mantinha o livro-razão, aprovava contas e podia atrasar, bloquear ou estornar um pagamento. Durante décadas, cientistas da computação tentaram criar um dinheiro digital sem um emissor central. A parte difícil era que informações digitais são fáceis de copiar. Se uma moeda digital pudesse ser copiada e gasta duas vezes, ela não funcionaria como dinheiro. Isso é chamado de problema do gasto duplo.

Em 31 de outubro de 2008, uma pessoa ou grupo usando o nome Satoshi Nakamoto publicou um artigo descrevendo uma solução: Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer. A rede começou a funcionar em janeiro de 2009.

O Bitcoin é um dinheiro digital descentralizado, tem uma oferta limitada e pode ser enviado de forma Peer-to-Peer (P2P) sem a permissão de um banco.

Ser descentralizado significa que não existe um escritório central que possa criar contas, alterar saldos ou aprovar quem entra. Qualquer pessoa pode baixar e examinar o software de código aberto, e muitos computadores independentes mantêm uma cópia do registro. Isso não significa que todos tenham a mesma influência. Significa que nenhum participante sozinho pode alterar o livro-razão ou as regras monetárias para todos.

Ter uma oferta limitada significa que nunca existirão mais de 21 milhões de bitcoin. Novos bitcoin são liberados de acordo com um cronograma público, e computadores independentes chamados nós rejeitam qualquer bloco que viole essa regra. O limite é confiável porque qualquer pessoa pode verificá-lo. No entanto, ele não é uma lei da natureza: ele se mantém porque os participantes continuam a fazê-lo valer. E uma oferta limitada não garante que o preço vá subir. O preço depende tanto da demanda quanto da oferta.

Ser Peer-to-Peer (P2P) significa que você pode enviar bitcoin para qualquer pessoa, em qualquer lugar, sem abrir uma conta na rede Bitcoin nem pedir aprovação a uma autoridade central. Nenhuma empresa pode congelar bitcoin que você mesmo controla. O outro lado dessa liberdade é a responsabilidade: uma transação válida geralmente é impossível de reverter, e não existe central de atendimento para a rede.

Um equívoco comum é achar que o Bitcoin está fora de alcance porque um bitcoin é caro. Você não precisa comprar ou usar um bitcoin inteiro. Um bitcoin se divide em 100.000.000 de unidades menores chamadas satoshis, ou sats. Possuir 100.000 sats e possuir 0,001 bitcoin descrevem a mesma quantia.

A rede depende de diferentes participantes: usuários que enviam, recebem e guardam bitcoin; nós que verificam cada transação e cada bloco de acordo com as regras; e mineradores que competem para adicionar um novo bloco ao registro aproximadamente a cada dez minutos. Esse registro, a blockchain, é público e visível para qualquer pessoa, e reescrevê-lo é muito custoso.

Uma observação sobre a grafia: Bitcoin com B maiúsculo geralmente se refere à rede ou ao sistema. bitcoin com b minúsculo se refere ao próprio dinheiro.

O Bitcoin também tem suas desvantagens. Seu preço pode mudar rapidamente. Erros geralmente são permanentes. A aceitação ainda é limitada em muitos lugares, e usá-lo com segurança exige algum aprendizado. O Bitcoin substitui parte da confiança em instituições por verificação e responsabilidade pessoal. Ele não elimina o risco.

Como você usa o Bitcoin?

Uma carteira Bitcoin é uma ferramenta, geralmente um aplicativo, que permite receber, verificar e enviar bitcoin. Seu bitcoin não fica armazenado dentro do seu celular: ele é registrado na blockchain. A carteira gerencia as chaves que permitem provar que ele é seu e autorizar um pagamento.

Portanto, a primeira pergunta sobre qualquer carteira é: quem controla as chaves?

Quem realmente detém o seu bitcoin?

Com uma carteira de autocustódia, você controla as chaves.

Ao configurá-la, ela mostra a você uma frase-semente (também chamada de frase de recuperação): uma lista ordenada de palavras, geralmente 12 ou 24. Ela pode recriar suas chaves em outro dispositivo. Qualquer pessoa que a tenha pode pegar o seu bitcoin. A frase-semente não é apenas um backup: ela dá acesso total.

Proteja-a:

  • anote-a com precisão em papel ao criar a carteira;
  • mantenha-a offline, em sigilo e em um lugar onde ela não seja perdida nem danificada;
  • nunca a fotografe, envie por e-mail, salve em notas na nuvem ou mande em uma mensagem;
  • nunca a digite em um site.

Se você perder sua frase-semente e seu dispositivo, ninguém poderá recuperar seu bitcoin por você.

Com uma carteira custodial, uma empresa guarda as chaves por você, mais ou menos como um banco. Seu saldo é a promessa da empresa de pagar a você. A configuração é familiar e pode haver suporte disponível, mas você depende dessa empresa: ela pode limitar saques, congelar uma conta, ser hackeada ou encerrar suas atividades.

PerguntaCustodialAutocustódia
Quem guarda as chaves?A empresaVocê
Quem cuida da recuperação?A empresa, por meio da sua contaVocê, por meio da sua frase-semente
Principal contrapartidaPraticidade e suporte, mas você depende da empresaControle direto, mas você é responsável pelos backups e pelos erros

Uma frase útil no mundo do Bitcoin: se as chaves não são suas, as moedas não são suas. Escolher o tipo de custódia não é uma prova de valor. O que importa é saber qual tipo você está usando e em que você está confiando.

A My First Bitcoin não recomenda carteiras específicas. Ferramentas, taxas e proprietários mudam, e o que serve para uma comunidade pode não servir para outra. Pergunte a um educador de confiança o que as pessoas usam na sua região e verifique você mesmo estes pontos antes de usar qualquer carteira:

  • Chaves: quem controla as chaves, você ou uma empresa?
  • Recuperação: o que acontece se você perder o celular ou se a empresa desaparecer?
  • Origem: você baixou a carteira do site oficial ou da página oficial na loja de aplicativos, e não de um link que alguém lhe enviou?
  • Código: ele é de código aberto e mantido ativamente? (Ser de código aberto, por si só, não prova que uma ferramenta é segura.)
  • Custos: quais taxas se aplicam para enviar, receber ou sacar?
  • Pagamentos: ela suporta os pagamentos de que você precisa, on-chain ou Lightning?

O Bitcoin tem duas formas comuns de pagamento. On-chain: os pagamentos são registrados diretamente na blockchain. Lightning é uma rede de pagamentos construída sobre o Bitcoin para pagamentos rápidos, pequenos e frequentes, como comprar um café. Uma carteira Lightning também pode ser custodial ou de autocustódia.

Três regras manterão você em segurança enquanto aprende:

  1. Aprenda primeiro. Não aja por empolgação, medo ou pressão.
  2. Comece com pouco. Experimente ferramentas desconhecidas com um valor que você pode se dar ao luxo de perder.
  3. Não confie, verifique. Confira a pessoa, o método de pagamento, o endereço e o valor antes de aprovar um pagamento.

Compartilhe informações de recebimento, nunca segredos. Um endereço ou uma solicitação de pagamento pode ser compartilhado. Uma frase-semente ou chave privada nunca deve ser compartilhada. Nenhum educador, empresa de carteiras ou atendente de suporte legítimo jamais pedirá isso a você.

Pare se alguém criar urgência ou sigilo, prometer retornos garantidos, pedir que você envie bitcoin primeiro ou pedir sua frase-semente. Faça uma pausa. Não compartilhe nada. Não envie nada. Depois, verifique por meio de uma fonte que você já conhece.

E agora?

O dinheiro depende de regras e de confiança

O dinheiro fiduciário torna os pagamentos práticos, mas sua oferta e suas regras são definidas por um pequeno número de instituições, e seu poder de compra pode cair com o tempo.

O Bitcoin oferece regras diferentes

Desde 2009, o Bitcoin oferece um dinheiro com oferta pública e limitada, aberto a qualquer pessoa, que pode ser verificado em vez de exigir confiança. Ele também traz contrapartidas: oscilações de preço, erros permanentes e responsabilidade pessoal.

A segurança vem em primeiro lugar

Aprenda primeiro, comece aos poucos e verifique tudo. Nunca compartilhe sua frase-semente. Você não precisa fazer tudo de uma vez: um próximo passo seguro já é suficiente.

Isto é só o começo

Volte às cinco perguntas do início. O que você responderia agora?

O Bitcoin Diploma é o próximo passo. Seus quatro módulos levam você mais longe: da compreensão do dinheiro ao funcionamento do Bitcoin, do uso seguro do Bitcoin ao Bitcoin na sua comunidade. Continue curioso, continue fazendo perguntas e saiba mais em myfirstbitcoin.org.